- Estou deitado na areia apenas olhando o céu. Um céu azul com poucas nuvens, pequenas, algumas pretas.
- E o que você está achando disso?
- Um saco.
- Entendo. Você vivia por aqui?
- Sim. Há cem metros daqui era onde eu morava.
- Diga-me. O que você sentia quando vinha para cá?
- Quando eu via esse mar que se estendia pelo horizonte, eu via que eu, como criança, como humano, era tão miúdo... Tudo parecia enorme, instraponível. Eu mergulhava com meu pai. Não conseguia tocar o chão. Em torno de mim, uma água fria, desesperadora, mas ela ia ficando cada vez mais... Quente. Como se estivesse na barriga de minha mãe...
- E o que você sentia quando estava flutuando na água?
- Parecia que estava flutuando no céu. Era a paz.
- E mudou?
- Claro. A água está salgada, enruga a minha pele, quente ou fria demais. Não consigo mais entrar na água...
- O que mudou?
- Eu, provavelmente. O mundo pouco muda.
- O horizonte, mesmo depois de você ter crescido, continua grande?
- Imenso, tão grande quanto da época que eu era criança.
- Sua perpecção de espaço mudou?
- Com certeza, sim. Mas o horizonte é que nem o espaço, ele é infinito diante de um ser humano. Não há nada maior que ele.
- Entendo. Mas por que ficar olhando para ele já se tornou tedioso.
- A minha existência precisa mostrar que eu existo. Ela me põe num lugar dentro desse mundo. Minha mente muda, eu vim com hormônios. O tempo já não passa da mesma maneira de quando eu era pequeno.
- E por que acha isso?
- São coisas da sua vida pessoal, não é? O seu corpo muda, você muda. Ou assim parece.
- Não, certas coisas em você não mudam. Uma das poucas que mudam é que você precisa achar outra maneira de apreciar o mundo a sua volta.
- Como?
- Cada um tem sua resposta em si. Alguns trabalham até a exaustão, outros não fazem nada, ficam estacionados num lugar. Mas aproveitar a imensidão do mundo não te deprime? Não te faz se sentir pequeno?
- Sim, me faz, mas não é algo ruim, para mim, pelo menos. Compreender o quão sou pequeno, faz-me sentir qual é o meu lugar no mundo, como uma filha-do-mundo.
- Então, não conseguir mais saber seu lugar no espaço. Não conseguir mais se sentir, não conseguir sentir o chão, o ar.
- Agonia-me demais. As vezes, eu acho que, quando morrermos, vamos queimar, sumir nesse horizonte, um desaparecer eterno.
- Sentir o mundo te faz sentir isso?
- Sim, sentir que está voltando ao lugar de onde veio. Isso me trazia a sensação de localização, uma angústia que doía, mas que era tão prazerosa. Tocar de verdade no chão, ouvir o som das ondas batendo, dos insetos, ver como o mundo é, os outros mundos já foram... É irônico sentir isso quando se é uma criança...
- Deite numa tábua, prancha, reme até ir bem longe. Ponha as mãos no mar, feche os olhos e relaxe. Quem sabe o mundo voltará até você?
- Quem sabe?













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*^0^*
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Brains!
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Só que tu poderia por personagens para ficar mais impactante, não acha?
Gostei da mensagem. (Y)
Só que tu poderia por personagens para ficar mais impactante, não acha?
Gostei da mensagem. (Y)
Não quero que seja duas personagens específicas conversando, mas sim uma pessoa qualquer A com uma pessoa qualquer B, sabe?
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I'm waiting for the great re-roll in the sky.
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Tá ótimo assim.
xD
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